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Justiça para Felisburgo

Os encontros depois da visita a Felisburgo em Novembro de 2006

Partimos de Felisburgo com Paolo e vamos na cidadezinha de Felisburgo, aonde acompanhamos Paolo e Sueli na Delegacia da Polícia Militar para denunciar as ameaças contínuas sofridas pelos acampados. A delegacia está fechada quando finalmente chegam dois policiais de carro,
carro da Polícia

o Cabo Candido e o Sargento R. Elias,que no momento são muito frios, fazem algumas anotações, mas consideram que não seja o caso de uma denúncia por ameaças, porque até então ninguém usou uma arma.
Neste caso,o delegado que deveria assinar a denúncia, no momento não se encontra na cidade e voltará alguns dias depois, e com isso, os companheiros deverão voltar na próxima semana. Informamos aos policiais que na Europa tem uma campanha de apoio que se chama Justiça para Felisburgo e que consta também um Site em Internet com toda a história e a fotografia do assassino, por causa disso pedimos a colaboraçao deles.

Mais tarde com Paolo vamos na Avenida Brasil 337 na casa do Presidente Getúlio Rodrigues dos Santos, do Partido PFL ( o partido patronal ), amigo do assassino Adriano, mas não foi possivel encontrá-lo porque havia saído.
Encontramos com o padre David, um amigo dos Sem Terra que é o pároco de Felisburgo há pouco tempo, que já esteve várias vezes no acampamento e irá também no dia 20 de novembro de 2006 para a comemoração do 2° Ano do Massacre.

A noite encontramos com Robson Waite, um jornalista do Corvo, um pequeno jornal que se ocupa dos problemas sociais e ambientais, ele é o único jornalista de Felisburgo. Informamos a ele da situação no acampamento, o qual, nos promete de publicar as notícias na próxima edição do jornal.

Passeando pela cidade passamos em frente à casa de um dos assassinos, Milton de Souza, o qual é chamado de Pé de Foice, que nos olha através da porta de casa com arrogância.
Paolo nos explica que na casa da frente, mora um homem que vivia no acampamento desde o tempo da chacina, agora colocaram uma placa de Vende-se na casa, evidentemente, porque è impossível viver serenamente em frente a quem tentou te matar e hoje vive solto e impune.

No dia seguinte vamos sempre com Paolo a Jequitinhonha, uma cidade mineira aonde provavélmente será o processo, caso este, não seja transferido a Belo Horizonte como gostariam os Sem Terra. Onde há uma Sede dos Sem Terra e encontramos o Decanor Nunes dos Santos da Caritas,
Decanor de Caritas
ele ajuda os Sem Terra e também faz parte da ASA (Associação do Semi-Árido Brasileiro) uma grande Associação Brasileira presente em todos os estados do Nordeste do Brasil, que luta pela defesa e o desenvolvimento das regiões semi -áridas,contra o perigo que ameaça a passagem ao árido.
Decanor é o responsavel pelo programa “Voz da Terra” transmetido pela Rádio Santa Cruz, o qual è dirigido pela Caritas, que muitas vezes se interessou pela problemática do latifúndio, a sua prepotência e os conflitos com os Sem Terra. Ele já esteve na Terra Prometida e voltará a visitá-la no dia 16 e para a comemoração do dia 20 de novembro.
Decanor filma uma entrevista feita à Chiara a respeito da situação do acampamento que será transmetida na próxima semana, e em seguida fizemos um pequeno filme com essa entrevista.

A tarde vamos com Dom Pedro que é o pároco de Jequitinhonha,
Dom Pedro o pároco

na Delegacia da Polícia Civil, onde informamos ao Cabo Salomão das contínuas ameaças feitas aos acampados e pedimos a eles se podem recomeçar os patrulhamentos que foram interrompidos há muito tempo.

No dia seguinte vamos com Paolo a Almenara para encontrar um outro grande amigo dos Sem Terra, o bispo Dom Hugo Van Steekelemburg, bispo da Diocése de Almanara de origem holandesa,
o bispo

e falamos com ele a respeito da situação e ele também ira à Terra Prometida no dia 16 de novembro, junto à Comissao de Inquérito guiada por Flavio Valente, Relator Nacional dos Direitos Humanos da Alimentaçao Adequada, Água e Terra Rural,
Valente do FIAN

Dirigente do FIAN Brasil, que faz parte do FIAN (food First Information & Action Network ) Internacional, uma Organização que trabalha a nível mundial pelos Direitos da Alimentação, e é presente em 60 países como ONG especializada com Status Consultivo das Naçoes Unidas.

Nos dias seguintes temos numerosos encontros , em primis com o mítico Frei Gilvander Moreira,
o frei carmelitano pároco

um frei carmelitano pároco em Belo Horizonte da Comissão Pastoral da Terra ( CPT ) que se ocupa dos Sem Terra e com todos os pobres e os excluídos, por isso já sofreu muitas ameaças.

Sempre em companhia de Mauro Lemes, da Secretaria MST de Minas e responsável dos Direitos Humanos, encontramos na Sede da Assembléia Legislativa de Minas Gerais o Deputado Angelo Durval do PT, que é o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa,
il deputato Durval

que conhece muito bem a situação de Terra Prometida, e já fez várias interpelações e já escreveu até um livro chamado “Palavras e Atos” que nos foi presenteado.
Angelo nos promete que se empenhará para a chegada da luz no acampamento.

Em seguida sempre em companhia de Mauro e de Gilberto Ferreira, o advogado dos Sem Terra que segue o processo do Massacre, encontramos no escritório dele o Procurador de Justiça Dr. Afonso Henrique de Miranda Teixeira, do Ministério Público do Estado de Minas Gerais e o seu colaborador Dr. Luis Carlos Martins Costa,
o Procurador de Justiça

Que se dizem otimistas a respeito da transferência do processo para Belo Horizonte, indispensável para se obter justiça, visto que em Jequitinhonha o assassino Adriano é muito influente.
Sucessivamente vamos falar também com os dirigentes do SITRAEMG,
sindacato dos trabalhadores da justiça

O Sindicato dos trabalhadores da justiça, que apoia o movimento através de promoções e vendas de alguns produtos dos Sem Terra, entre estes o vinho Veritas, por sinal de boa qualidade que é produzido no Rio Grande do Sul.

Enfim, o encontro com a Dra. Fabiana de Andrade Campos psicóloga da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais,
a psicóloga

que também já esteve no acampamento Terra Prometida para tratar dos habitantes, os quais, já sofreram graves consequências traumáticas e psicológicas por causa do Massacre, e ficou de voltar com a sua colaboradora no período do Natal.

Os amigos brasileiros nos dizem que o trabalho do nosso Comitê de apoio aos Sem Terra, esse SITE e a campanha de solidariedade internacional são para eles muito úteis e nos agradecem muito.
Nós agradecemos ainda mais a todos eles pela amizade e pelas “lições” de humanidade e esperança, também política que acabamos de receber.

Chiara De Poli e Antonio Lupo